Parte I — A semente
01 · Gravar: pôr a semente no chão
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Antes de plantar, a gente escolhe o lugar e prepara a terra.
Escolher onde gravar
- Para experimentar ou para um encontro curto: um pendrive de 4 GB ou mais.
- Para uma mucua que vai ficar: o disco de dentro do computador. Dá para gravar direto nele (tirando o disco e ligando num adaptador USB) ou, mais fácil, gravar num pendrive e instalar a partir dele (capítulo 03).
- Raspberry Pi: um cartão SD de boa qualidade ou, melhor, um SSD USB.
Atenção: gravar a imagem apaga tudo o que havia no pendrive ou disco. Confira duas vezes qual é o certo.
Gravar
A gravação é igual para pendrive, cartão, SSD ou HD: a imagem vai para o aparelho inteiro (não para uma partição dele). Não precisa descompactar: os programas abaixo aceitam o .img.xz direto.
| No… | Use | Como |
|---|---|---|
| Windows, Mac, Linux | balenaEtcher | Flash from file → escolha a imagem → escolha o pendrive → Flash |
| Windows, Mac, Linux | Raspberry Pi Imager | Escolher sistema → Usar imagem própria → escolha a imagem e o pendrive |
| Windows | Rufus | escolha a imagem e, se ele perguntar, o modo DD |
| Linux, no terminal | dd | veja o quadro abaixo |
No terminal, troque /dev/sdX pelo pendrive certo (o comando lsblk mostra os discos; o pendrive costuma ser o que aparece e some quando se pluga e despluga):
xzcat baobaxia-pc-20261023.img.xz | sudo dd of=/dev/sdX bs=4M status=progress conv=fsync
Preparar a rede antes de ligar
Depois de gravar, o pendrive aparece no computador com uma partição chamada BAOBAXIA (no Raspberry, bootfs). Dentro dela há um arquivo de texto: baobaxia-rede.txt. É ele que diz como a mucua vai se ligar à rede. Abra com qualquer editor de texto (Bloco de Notas, TextEdit, gedit…), mude o que precisar e salve.
As linhas mais importantes:
| Linha | O que faz |
|---|---|
MODO=auto | padrão. Pega o cabo, se houver. Se WIFI_NOME estiver preenchido, entra nesse Wi-Fi; se não conseguir (ou se estiver vazio), cria a própria rede. |
MODO=cliente | só entra em redes (cabo e WIFI_NOME); nunca cria a própria. |
MODO=ponto | sempre cria a própria rede Wi-Fi. Se houver cabo com internet, ela repassa a internet para quem estiver na rede. |
WIFI_NOME= e WIFI_SENHA= | o Wi-Fi que já existe no lugar, para a mucua entrar. |
PONTO_NOME=Baobaxia | o nome da rede que a mucua cria. |
PONTO_SENHA= | a senha dessa rede. Vazio = rede aberta (o melhor para um encontro). Se usar, ao menos 8 letras. |
PAIS=BR | as regras de rádio do país (BR, PT, IT, ES, AR…). |
Outras linhas (o domínio, o portal, o redirecionamento, o rádio, o chat) estão explicadas no próprio arquivo e no capítulo 05. As linhas MUCUA_UUID e MUCUA_NOME servem para recriar uma mucua que já existe (capítulo 04) — deixe vazias para uma mucua nova.
Sem acentos. O arquivo e o menu de boot são escritos sem acentos de propósito: a tela do boot não mostra ã, õ, ç direito. Ao editar, prefira sem acentos também — principalmente no nome e na senha do Wi-Fi.
O arquivo é relido a cada boot: dá para mudar depois, plugando o pendrive (ou o disco) em outro computador, ou de dentro da própria mucua (capítulo 08). E não precisa mexer nele para começar: com tudo no padrão, a mucua usa o cabo se houver e, sem cabo, cria a rede Baobaxia.
Ligar
No PC, para ligar pelo pendrive e não pelo disco de sempre, aperte a tecla do menu de boot logo que o computador liga — costuma ser F12, F11, F8 ou Esc, conforme a marca (a tela do fabricante às vezes mostra qual). Escolha o pendrive na lista. No Raspberry, basta pôr o cartão e ligar.
O que aparece em seguida é o assunto do próximo capítulo.
